Ria de Aveiro

A Ria de Aveiro formou-se no século XVI, como resultado de um recuo do mar e, posteriormente, uma formação de cordões litorais e que originaram uma laguna. Constituiu-se assim um dos mais importantes e maiores acidentes geográficos da costa portuguesa. Mas tal nunca teria sido possível sem a existência do rio Vouga, que nasce na Serra da Lapa, mais concretamente, no Chafariz da Lapa, em Viseu. Ao longo do seu percurso, o Vouga vai distribuído riquezas pelas terras onde passa. Mas é depois de passar a vila de Cacia, no distrito de Aveiro, que as suas águas se ramificam num sem número de canais de terreno baixo, onde coexistem ilhas e ilhotas, dando início à formação da Ria tal como a conhecemos.

A Ria, que é também a foz do rio Vouga, é uma das mais belas paisagens de costa em Portugal.

A sua extensão de 45 quilómetros e a sua largura, de aproximadamente 11 quilómetros, no sentido este-oeste, tem uma foz que envolve 11 mil hectares, dos quais, mais de seis mil estão permanentemente cobertos de água. A única ligação que existe com o mar é o canal que quebra o cordão litoral da Barra de São Jacinto, e que permite o acesso de embarcações. A Ria, que ao afastar terras as junta, ao mesmo tempo, numa grande e forte união entre as gentes, tem um papel fundamental na agregação do território e do seu desenvolvimento.

Esta Ria, que parece ter pensado em tudo, salvaguarda a harmonia entre o Homem e a Natureza. Toda a sua bacia hidrográfica apresenta uma grande biodiversidade. A fauna e a flora fazem renascer a região todos os dias. As aves migratórias, que facilmente podem ser observadas, são o exemplo do poder natural da Ria. Garças e flamingos salpicam de cor as águas e apaixonam os observadores, não só pelos seus gestos naturais, mas também pelo reflexo que espelham nas águas. A abundância de peixes e aves aquáticas dá aos amantes da pesca e da caça o palco ideal para a prática destas atividades. A miríade de canais, por onde as águas da Ria serpenteiam, permitem as melhores condições para a prática de desportos náuticos.

As salinas garantem, como há centenas de anos, o tratamento e comercialização de sal, inerente à sobrevivência do homem. O mesmo se aplica à agricultura subjacente à fertilidade das terras, que só poderia ser possível graças à abundância de água. O Homem, contudo, grato pelas dádivas que recebe, usa o respeito e a admiração pela Ria como moeda de troca. Se ela muito lhe dá, ele trata de a proteger e promover. Fá-lo através da admiração expressa no artesanato, onde põe todo o carinho e beleza da Ria. E fá-lo também através de programas de proteção e preservação do território, como os projetos da POLIS, que permitem um outro usufruto deste território.

Da Ria nasceu e multiplicou-se um conjunto de setores indispensáveis ao desenvolvimento da região. A Ria, que divide a terra, fê-lo para agregar mais profundamente o povo, fazendo-o crescer e desenvolver-se, urbanamente, comercialmente e, claro, humanamente. E o mesmo se passou com a natureza. Visite a Ria e faça parte desta família!